filosofia

Realidade técnica

Para Simondon, no entanto, uma das características básicas dos objetos técnicos construídos pelo homem consiste no fato de que eles são antes de mais nada feitos a partir de informações que advém de seu exterior, e que lhe fornecem o sentido de seu funcionamento. Uma máquina representa para ele não um ser fechado em suas engrenagens, mas a materialização do pensamento humano, que forja conexões mentalmente e depois as inscreve no objeto (SIMONDON, 1969: 60).

Explicando o agenciamento nas multidões

Com efeito, como o diz Paolo Virno, e nas condições contemporâneas isso é ainda mais visível, a multidão é plural, centrífuga, refratária à unidade política. Ela não assina pactos com o soberano, não delega a ele direitos, inclina-se a formas de democracia não representativa. Talvez ela seja regida por uma lei-esquiza, tal como os nômades de Kafka. Numa fórmula sugestiva, Virno ainda diz : a multidão deriva do Uno, o povo tende ao Uno. O que é esse Uno do qual a multidão deriva ?

Metafísica

Se realmente acompanhamos, com nossa interrogação, a questão desenvolvida em torno do nada, então não nos teremos representado a metafísica apenas do exterior. Nem nos transportamos também simplesmente para dentro dela. Nem somos disso capazes porque — na medida em que existimos — já sempre estamos colocados dentro dela. Physei gár, o phíle, énestí tis philosophía te tou andrós diánoia (Platão, Fedro 279a). Na medida em que o homem existe, acontece, de certa maneira, o filosofar.

Círculo quadrado

o mistério real reside no fato que o mundo existe, e não o vazio
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Heidegger

Quero gerar confusão. O mundo onde convivemos é louco, é anárquico, é utópico. É uma busca incessante pela liberdade humana. Nem que seja apenas na ficção. Nem que seja pela perspectiva de uma classe dominante. O sujeito busca no poder a salvação, mas tem como objetivo a libertação das garras autoritárias. Uma tensão constante do sujeito com a sociedade conservadora (ou aquela que quer preservar o poder). Será que não poderíamos viver sem essa balela? Numa sociedade caos-organizada? Homens devem ser comandados pelas forças espúrias dos poderosos? Muitas perguntas para poucas palavras. O sujeito tem discernimento do certo e do errado. E a partir desse conceito o homem deveria ser educado. Desde pequeno tínhamos que aprender a colaboração. Acho que estou sendo ingênuo demais! As notícias dos jornais me contradizem a cada instante. Mas se não mudarmos o âmago, não expurgaremos os noticiários sensacionalistas... A mídia faz a hora.

Heidegger

Não se pode pensar que haja uma espécie de imersão na verdade, o que seria uma metáfora extremamente infeliz, na medida que a verdade se produz descolada da realidade. Não há uma identidade entre verdade e realidade. Portanto, as expressões velamento-desvelamento são elementos que não querem apontar simplesmente uma descrição da realidade. Elas apontam para aquilo que se desliga ou se descobre no processo de pensar as condições de possibilidade de conhecer a realidade e que significa uma atividade conceitual empenhada na produção de proposições, descrevendo condições de conhecimento, condições de saber. Não se trata, portanto, de tentativa de simular uma espécie de posse de um enigma, de um segredo ou de um mistério que seja de propriedade de um sujeito e que o levaria a uma afirmação autística de que eu tenho a verdade e todos os elementos a ela referidos. Se o senhor não tem a verdade, ou aceita a minha ou fica sem ela. Tal atitude despreza as razões do outro e, no fundo, não dá razões para o que o autor mesmo afirma.
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“Seminário Sobre a Verdade” – Lições preliminares sobre o parágrafo 44 de Zein und Zeit, Ernildo Stein, Ed. Vozes

O que é pensar?

Pensar é experimentar, é problematizar. O saber, o poder e o si são a tripla raiz de uma problematização do pensamento. E, primeiramente, considerando-se o saber como problema, pensar é ver e é falar, mas pensar se faz no entremeio, no interstício ou na disjunção do ver e do falar. É, a cada vez, inventar o entrelaçamento, lançar uma flecha de um contra o alvo do outro, fazer brilhar um clarão de luz nas palavras, fazer ouvir um grito nas coisas visíveis. Pensar é fazer com que o ver atinja seu limite próprio, e o falar atinja o seu, de tal forma que os dois estejam no limite comum que os relaciona um ao outro separando-os.
-- Gilles Deleuze

É possível explicar Nietzsche?

Na Folha: Professor explica por que ler Nietzsche hoje; leia capítulo: (...) Nietzsche é o pensador de nossas angústias, que não poupou nenhuma certeza estabelecida --sobretudo as suas próprias convicções-- e desvendou os mais sinistros labirintos da alma moderna. Com a paixão que liga a vida ao pensamento, Nietzsche refletiu sobre todos os problemas cruciais da cultura moderna, sobre as perplexidades, os desafios, as vertigens no fim do século 19.

Forma e matéria

Se forma for entendida como o oposto de matéria, então não se pode falar de design material; os projetos estariam sempre voltados para informar. E se a forma for o como da matéria e a matéria for o quê da forma, então o design é um dos métodos de dar forma à matéria e de fazê-la aparecer como aparece, e não de outro modo. O design, como todas as expressões culturais, mostra que a matéria não aparece (é inaparente), a não ser que seja informada, e assim, uma vez informada, começa a se manifestar (a tornar-se fenômeno). A matéria no design, como qualquer outro aspecto cultural, é o modo como as formas aparecem.[28]
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O mundo codificado
Vilém Flusser
Organização: Rafael Cardoso
Tradução: Raquel Abi-Sâmara

A obra de Vilém Flusser (1920-1991) desvenda a tentativa milenar da humanidade de superar suas limitações físicas por meio da tecnologia. Nesse processo, o autor demonstra que os designers, embora tenham um papel central, caminham sobre um chão conceitual muito frágil.

As teorias apresentadas destroem lugares comuns, verdades superficiais e leis não escritas, além de lançarem luz sobre problemas que sequer começamos a enfrentar.

SubNews [09]

1. Estranhos são bons - Para ver o caminho temos que usar os nossos próprios olhos
2. Conectar pessoas é uma arte - é fácil é dizer que tudo é lixo
3. Lógica colaborativa - Colaboração é um processo emergente
4. Do cidadão ao linkadão - Linkania é a expressão de cidadania na internet.
5. Pensata - o sentido construído pelo autor...
6. Blogueiros da comunicação - valeu pela lista da vizinhança.
7. Que é isto: a Filosofia - Heidegger diz que a questão é penetrar na filosofia

Que é isto: a Filosofia

Heidegger pergunta: Que é isto — a filosofia?, e diz: falamos sobre a filosofia. Perguntando desta maneira, permanecemos num ponto acima da filosofia e isto quer dizer fora dela. Porém, a meta de nossa questão é penetrar na filosofia, demorarmo-nos nela, submeter nosso comportamento às suas leis, quer dizer, “filosofar”. O caminho de nossa discussão deve ter por isso não apenas uma direção bem clara, mas esta direção deve, ao mesmo tempo, oferecer-nos também a garantia de que nos movemos no âmbito da filosofia, e não fora e em torno dela. O caminho de nossa discussão deve ser, portanto, de tal tipo e direção que aquilo de que a filosofia trata atinja nossa responsabilidade, nos toque, e justamente em nosso ser.

É um texto curto, somente com 16 páginas, mas que vale a pena ser lido.

Que é isto — a filosofia?
HEIDEGGER, Martin

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