multidão

Explicando o agenciamento nas multidões

Com efeito, como o diz Paolo Virno, e nas condições contemporâneas isso é ainda mais visível, a multidão é plural, centrífuga, refratária à unidade política. Ela não assina pactos com o soberano, não delega a ele direitos, inclina-se a formas de democracia não representativa. Talvez ela seja regida por uma lei-esquiza, tal como os nômades de Kafka. Numa fórmula sugestiva, Virno ainda diz : a multidão deriva do Uno, o povo tende ao Uno. O que é esse Uno do qual a multidão deriva ?

Público, Subjectividade e Intersubjectividade

(...) a influência que o publicista exerce sobre o público ainda que menos intensa num dado instante, pela sua continuidade, é muitíssimo mais poderosa que a impulsão breve e passageira inculcada à multidão pelo seu inspirador;" (Tarde, 1986:51).

Movimento na comunicação

MALTA EM ELIAS CANETTI. Para além de analisar o termo massa, Canetti também o faz com malta (que deriva do latim movita, significando movimento). Para ele, malta é uma unidade mais antiga do que massa (Canetti, 1995: 93). A malta seria uma horda de número reduzido (10-20 homens) e uma forma que assume a excitação colectiva, visível em toda a parte. Característico de malta é o facto de não poder crescer. A malta consiste num grupo de pessoas excitadas que nada mais deseja do que ser mais.

Massa e poder na comunicação

MASSA EM ELIAS CANETTI. Escreveu: “um fenómeno tão enigmático quanto universal é o da massa que repentinamente se forma onde, antes, nada havia. Umas poucas pessoas se juntam – cinco, dez ou doze, no máximo. Nada foi anunciado; nada é aguardado. […] As pessoas afluem, provindas de todos os lados, e é como se as ruas tivessem uma única direcção. Muitos não sabem o que aconteceu e, se perguntados, nada têm a responder; no entanto, têm pressa de estar onde a maioria está. Em seu movimento, há uma determinação que difere inteiramente da expressão da curiosidade habitual.

Group effort

For most of modern life, our strong talents and desires for group effort have been filtered through relatively rigid institutional structures because of the complexity of managing groups. We haven't had all the groups we've wanted, we've simply had all the groups we could afford. The old limits of what unmanaged and unpaid groups can do are no longer in operation; the difficulties that kept self-assembled groups from working together are shrinking, meaning that the number and kinds of things groups can get done without financial motivation or managerial oversight are growing. The current change, in one sentence, is this: most of the barriers to group action have collapsed, and without those barriers, we are free to explore new ways of gathering together and getting things done.
(...) Group action gives human siciety its particular character, and anything that changes the way groups get things done will affect society as a whole. This change will not be limited to any particular set of institutions or functions. For any given organization, the important questions are "When will the change happen?" and "What will change?" The only two answers we can rule out are never, and nothing. The ways in which any given institution will find its situation transformed will vary, but the various local changes are manifestations of a single deep source: newly capable groups are assembling, and they are working without the managerial imperative and outside the previous strictures that bounded their effectiveness. These changes will transform the world everywhere groups of people come together to accomplish something, which is to say everywhere.
Clay Shirky, Here Comes Everybody, 21-24

A ruptura já se deu

Não se tem mais necessidade do capital! A valorização passa pela cabeça, eis a grande transformação. A Multidão tomou consciência, ela não admite mais que se lhe leve o produto do seu trabalho. Veja as recentes manifestações antiglobalização de Rostock, na Alemanha. Não é mais a velha classe operária. É o novo proletariado cognitivo: ele está em nos empregos precários, no trabalho dos ‘call centers’ ou dos centros de pesquisa científica. Ele gosta de colocar em comum sua inteligência, suas linguagens, sua música... Esta é a nova juventude! Agora existe a possibilidade de uma gestão democrática absoluta
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Negri - Nós somos os homens novos. A ruptura já se deu’

blogs e mídia de massa

Recebi pelo twitter do interney um link para o artigo do Alex Primo - micromídia digital e encadeamento midiático. Abri o pdf e comecei a ler. Um susto!!!!

Em primeiro lugar a afirmação de que os blogs não se opõe a mídia de massa é totalmente ingênua e equivocada. Pois, a internet se opõe a mídia de massa. Blogs populares são apenas populares. Atingem comunidades. Não a massa. Creio que faltou referências básicas para o autor explicar os micromercados. Locke faz isso muito bem em Gonzo Marketing. De qualquer forma, micromercados, micromídias ou o escumbau são apenas traços da aldeia global. Comunicação em rede pressupõe descentralização.

Bem, como não bastasse essa afirmação infeliz, encontrei no final do texto a frase: a própria blogosfera pode agir como retroalimentação das estruturas hegemônicas de poder... uhmmmm, eu penso o contrário. A blogosfera é a exposição em tempo real daquilo que Marx chamou de contradição do capitalismo. Ou, para ser um pouco mais preciso, blog é multidão. Uma multidão hiperconectada

Trabalho imaterial

É preciso insistir sobre o fato que a atividade implicada no trabalho imaterial permanece, ela mesma, material – ela engaja nosso corpo e nosso cérebro, como todo trabalho. O que é imaterial é seu produto. E, desse ponto de vista, nós admitimos que a expressão ‘trabalho imaterial’ é bastante ambígua. Talvez, por isso, seja preferível falar de ‘trabalho biopolítico’, isto é, um trabalho que cria não somente bens materiais, mas também relações e, em última instância, a própria vida social.
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Hardt & Negri, 2004

Multidão e público

A multidão não é apenas é atraente e seduz irresistivelmente seu espectador, mas seu nome exerce um prestigioso encanto sobre o leitor contemporâneo, e certos escritores são facilmente levados a designar por essa palavra ambígua todos os tipos de agrupamentos humanos. Convém fazer cessar essa confusão e, em particular, não confundir com a multidão o público, vocábulo igualmente susceptível de acepções diversas. (...) A formação de um público supõe, portanto, uma evolução mental e social bem mais avançada do que a formação de uma multidão.O público só pôde começar a nascer após o primeiro grande desenvolvimento da invenção da imprensa, no século XVI. O transporte da força a distância não é nada, comparado a esse transporte do pensamento a distância.
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Gabriel Tarde, A opinião e as massas [6-10]

Fronteiras da humanidade

O Google Maps é muito legal para viajar pelo nosso mundo. Podemos enxergar de perto diferentes locais. E, podemos encontrar, também as fronteiras da humanidade, os gaps, as exclusões e outras formas de dissonâncias. Esta foto diz tudo:
Paraisópolis, Morumbi, São Paulo
veja a área no google maps.

(above: check out the size of the tennis courts in comparison to the size of the housing on the left)
mais aqui extreme-rich-poor-divides

PS: Busquei no Google Earth

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