A web é óbvia
O termo óbvio que agora estou me referindo não tem nada de óbvio. Este é o paradoxo. Esse malfadado óbvio é algo que foge do sentido real. Não colabora com os fatos. Um óbvio excludente, beligerante, pernóstico e insolente. Um óbvio que ‘destroi coisas belas’. A palavra pela palavra. ‘Isso é óbvio’ aposta no desinteressante, no uso comum, na estupidez daqueles que não são vanguarda . Pois a vanguarda está aqui e agora.
Não é esse óbvio que veio a minha mente. Penso no óbvio como algo genial. Na simplicidade dos traços desconcertantes do Picasso, nos computadores pintados pelo Glauco Paiva, nas palavras fluentes do Drummond, na música do Zeca Pagodinho. Na obviedade da relatividade. E=mc². Simples assim.
Ser simples é ser genial. É enxergar nas linhas da vida as nuances escondidas. Somente alguns artistas (e penso numa abrangência que envolve artistas, não artistas, profissionais liberais, donas de casa, desconhecidos, desapercebidos, escondidos, pessoas comuns, ou aqueles que transformam suas agústias cotidianas em arte) atingem a simplicidade. Ser óbvio é conquistar a linguagem. Não se faz arte, não se faz filosofia, não se faz nada sem destruir paradigmas e reconstruir o óbvio. A obviedade é o conceito real.
A web é óbvia. E, ponto final.


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