Potência & descentralização
- Toda vez que o poder se descentraliza existem oportunidades para inovação. Como essa nova descentralização abrirá caminho para novas formas de ação coletiva?
- Multidão é o conceito de uma potência... Essa potência não quer simplesmente se expandir, ela quer, sobretudo, conquistar um corpo: a carne da multidão quer se transformar no corpo da Inteligência Coletiva.
Howard Rheingold, autor do excelente Smart Mobs, diz que ‘Every time power decentralizes, there's an opportunity for innovation. How might the new decentralization give rise to new forms of collective action?’
É exatamente nessa pergunta formulada por Rheingold (Como essa nova descentralização poderia catalisar novas formas de ações coletivas?) que enxergamos as oportunidades de uma revolução em termos da apropriação das tecnologia pelas pessoas. Negri chama esse movimento transformatório de Multidão. 'Multidão é o conceito de uma potência... Essa potência não quer simplesmente se expandir, ela quer, sobretudo, conquistar um corpo: a carne da multidão quer se transformar no corpo da Inteligência Coletiva.'
Entendemos que o processo de redes por um lado catalisa a formação de coletivos. E, paradoxalmente, os coletivos emergem do estado de potência, que ao conquistar o corpo informacional transforma o agrupamento num estado de inteligência coletiva.
David Weinberger, em Small Pieces Loosely Joined, diz que o 'Knowledge on the web is a social activity'. A multidão transforma o corpo em inteligência coletiva que por sua vez retroalimenta pelo conhecimento as redes sociais. The Web is a conversation, as opposed to traditional broadcast media. Hyperlinks do subvert hierarchy, for, as we learned from McLuhan, the nature of a medium has consequences.
Há uma propensão por parte das pessoas que habitam o ciberespaço, e fazem dele uma extensão da própria vida, a encarar a internet como um novo lugar. Neste lugar existem “pessoas conversando com pessoas” [Locke, Weinberger]. Mas, embora a fronteira eletrônica extrapole a noção de lugar geográfico, o conceito de lugar, ou não-lugar, não é o que delimita as especificidades dessas vivências e experiências. Nelas o lugar é substituído por uma interface cultural que tem no link a expressão do inter-relacionamento de pessoas e grupos [Mannovich, Weinberger] a partir de uma experiência distinta com o tempo e o espaço.
A internet, ou as internets só existem por causa dessa rede hiperconectada. Nesse sentido, a metáfora aparece na cibercultura como um transporte de idéias e pensamentos. Essas metáforas podem ser utilizadas, modificadas e reapropriadas de diferentes formas.
São essas conseqüências que pretendemos pesquisar. A atuação das pessoas em blogs, fotologs, msn's e Orkut fazem com que a voz, a comunicação não mais seja monopólio da imprensa. Entendemos que desde a revolução de Gutenberg a humanidade não apresentou algo tão original como a Internet para o rompimento do modelo cultural efetivado pelo modernismo.
Chega o momento onde o pensamento moderno não mais atende as expectativas das pessoas comuns. A entrada da informação na fórmula genealógica da moral [Nietzsche] destrói os paradigmas que deram sustentação a toda essa proposta. Atualmente, cabe nos pensar como essa problemática está sendo contemplada e como o estudo das redes, da comunicação, da conversação, da emergência podem desvelar o processo.


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