Controle e liberdade
Deleuze aponta para a sociedade de controle; a passagem da sociedade disciplinar para a sociedade de controle, pois não precisamos mais da forma de enclausuramento das instituições disciplinares, o controle pode ser exercido ao ar livre, sobre os fluxos. Isso significa que não precisamos mais de muros para controlar. O controle se faz pela interação e em rede.
A pergunta é: Será que a sociedade não estaria engendrando uma espécie de prisão ainda mais aperfeiçoada do que todas as outras, por intermédio da conexão ao ciberespaço, pela virtualização das relações humanas, pela ubiqüidade, ou por qualquer outra tecnologia que nos permite ir a todos os lugares sem sair do lugar?
Para Virílio, isso é a geração da inércia polar, para Serres a pantopia (todos os lugares em um só lugar e cada lugar em todos os lugares). Para Virílio esse movimento é negativo. Para Serres, é positivo.
Se o espaço do enclausuramento tende a migrar para as relações com o ciberespaço, para Virílio significa o fim do espaço. Pois, 'chegaremos ao tempo em que não haverá mais campo de tênis, mas um campo virtual; não haverá passeio de bicicleta, mas exercícios em um home-trainer (...) o espaço não se estenderá mais.
Essa idéia que ciberespaço é o fim do espaço, ou que a ubiqüidade absoluta anule todo o espaço é uma utopia tecnológica. David Weinberger, inspirado em Heidegger, aponta para a desconteinerização da metafísica padrão. A internet rompe com espaço, com o tempo, com a individualidade e com o conhecimento. Logicamente que isto não nos torna mais humanos, mas numa simples navegação pelos sites e blogs podemos perceber que essa ruptura nos leva a um novo bom senso. Muito mais humanista, que potencializa a colaboração entre as pessoas. Pois, a conexão e a preocupação nos fazem humanos.
Para Serres a relação de mistura e conexão que a rede forma cria um espaço diferente. A reconfiguração do espaço que iguala o físico e o virtual: todos os lugares num só lugar e cada lugar em todos os lugares. Na Internet, a informação é o mundo, se a informação é mundo e se este mundo está em rede, então temos tanto a possibilidade de ter todos os lugares quanto a de estar em todos os lugares. Pantopia remete tanto à utopia quanto ao espaço heterotópico, que em Foucault aparece como o diversos agrupamentos dos diferentes tempos e espaços.
Para Latour: 'Infelizmente os fenômenos circulam através do conjunto que compõe as redes, e é unicamente sua circulação que nos permite verificá-los, assegurá-los validá-los'. O ciberespaço, ou o espaço informacional não significa anulação do espaço, mas apenas a realização tecnológica do espaço topológico. Ou seja, no ciberespaço vivemos relações de vizinhança, espaço de conexões, heróptico e pantópico. O espaço, segundo Foucault, passa a ser definido pelas relações de vizinhança entre pontos e elementos, e forma séries, tramas, grafos, diagramas, redes.
Remixando Espinosa: Liberdade é uma conquista, não um direito.


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